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segunda-feira, 22 de junho de 2009

São Thomé das Letras

Em 2001, eu cursava o ensino médio e técnico em turismo no Colégio Alvorada no bairro Vila Formosa em São Paulo. Naquela época, tinha uma paixão enorme pela profissão e me orgulhava muito dela. Tal entusiasmo vinha de uma profª. jovem, alegre, recém-formada chamada Juliana. Eu amava as aulas de turismo todas as quartas e sextas-feiras. Até hoje, tenho a sensação de que aprendi mais sobre turismo no curso técnico do que na faculdade.

A Profª Jú, amava uma cidade do sul de Minas, chamada São Thomé das Letras. Sempre que tinha oportunidade ela falava do misticismo, da paisagem e do encanto que ela sentia ao visitar São Thomé. E assim, ficou em mim uma vontade de conhecer esta cidade.


Tantos anos depois, eu tive a oportunidade de conhecer São Thomé. E o destino quis que eu fosse com meu namorado. Foi perfeito! A paisagem realmente é maravilhosa. Não conhecia o sul de Minas. Cada pedacinho da viagem foi incrível. Ver as montanhas em uma mistura de verde claro e escuro em contraste com o céu azul cheio de nuvens. Lembrar da infância ao tentar imaginar desenhos nas nuvens... que sensação boa! As vacas e os bois no pasto, as flores, as árvores, as plantações de milho, café, trigo e até de girassóis. Lindo demais!



São Thomé das Letras é conhecida pelo misticismo. Há lendas de que a Gruta do Carimbado leva até a cidade peruana Machu Picchu. Dizem também que óvnis passam bem perto dali, devido à altitude: 1.440m acima do nível do mar. Os gnomos também passeiam por lá. Além disso, a cidade encanta pela paisagem natural, pelos prédios históricos, pelas grutas e cachoeiras, trilhas e esportes radicais. O artesanato tão criativo.A hospitalidade e a tranqüilidade. Lá você esquece de tudo! E o tempo simplesmente não passa!



Mas por quê São Thomé das Letras? Nesta região, há extração da pedra São Thomé, um tipo de quartzito. Pedra muito utilizada para construção de piscinas por ser antiderrapante e não soltar lascas. E Letras, deve-se às pinturas rupestres encontradas na Gruta São Thomé e também da imagem do santo.



Como a pedra São Thomé é abundante, praticamente todo o artesanato típico da cidade é feito com esta matéria-prima. Miniaturas da Casa da Pirâmide são encontradas a cada esquina no valor médio de R$ 2,00, acreditem! Além das miniaturas de pedra, encontrei também artesanato em feltro. Infelizmente, como não tive autorização, não pude fotografar os trabalhos. Vi móbiles e muitas camisetas infantis bordadas com feltro. Um trabalho lindíssimo e muito caprichoso. Estes trabalhos custam em média R$ 20,00. Achei um preço muito baixo, devido à perfeição do corte e dos pontos! Uma obra de arte, definitivamente!


E tem mais: pra quem gosta de cozinha mineira vai se deliciar! Na roça, como disse o Seu Antonio, dono da hospedaria onde fiquei, você encontra a deliciosa refeição mineira: frango frito, couve, torresmo, tutu de feijão, arroz branquinho e mandioca frita! Uma delícia! Outra coisa boa da região é a pizza na pedra!!!

São Thomé das Letras ficou na minha lembrança como um dos lugares mais lindos que conheci. E já estou com vontade de voltar. Quem sabe daqui a uns 4 anos...rs!

Onde fiquei: Hospedaria Nascer do Sol
Av. Nossa Senhora do Rosário, 16 – Centro
Telefone: 35 3237-1310

Onde comi:
Restaurante Fazenda Boa Vista (comida mineira)
Restaurante Ximana (pizza na pedra e prato feito)
Restaurante das Magas (pizza na pedra e pratos diversos)

Para mais informações sobre a cidade, visite o Portal São Thomé das Letras.

Beijos!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A identidade cultural no artesanato

O artesanato obedece às leis da oferta e da procura e, por isso, as intervenções de especialistas em análise de mercado são necessárias para prever e corresponder às expectativas dos clientes. Contudo, a identidade cultural do artesanato deve ser preservada, valorizando as tradições regionais, a habilidade dos artesãos e as relações existentes nos grupos.

O artesanato resulta de saberes acumulados por gerações em diversas comunidades organizadas em territórios por todo o país. Os artesãos são herdeiros de técnicas transmitidas por gerações e profundos conhecedores dos recursos naturais existentes em suas regiões. Seus conhecimentos são transformados em objetos inspirados em seus valores e visão de mundo e, desse modo, criam e reinventam uma das formas mais singulares de representação da identidade cultural.

O artesanato brasileiro é conhecido em todo o mundo por sua criatividade. Esse rico conjunto de produtos, desenhos e tons surgiu da herança dos povos que por aqui passaram. O índio nativo já fabricava instrumentos em barro e corda; os negros trouxeram trabalhos em cerâmica cozida; os colonizadores europeus acrescentaram os bordados e rendas.

Desenvolver produtos artesanais de referência cultural significa valer-se de elementos que reportem o produto ao seu lugar de origem, seja pelo uso de elementos simbólicos que façam menção às origens de seus produtores ou de seus antepassados, seja pelos materiais utilizados. Portanto, a identidade cultural é caracterizada por costumes, ritos, mitos, cores que remetem à paisagem local, pelas imagens prediletas, pela fauna e flora, pelos tipos humanos retratados e seus costumes mais singulares, que contribuem para distinguir um determinado grupo social dos demais. O outro aspecto que caracteriza uma determinada cultura relaciona-se ao uso de matérias-primas disponíveis na região e de técnicas de produção que foram passadas de geração em geração. Esses são os atributos mais valorizados por um mercado globalizado.

Para muitos, o surgimento de novos produtos deve ser resultante de um processo espontâneo de criação dos artistas populares. Estes, diante das mudanças no ambiente em que vivem, sentem a necessidade de demonstrar suas impressões pessoais mediante renovações na modelagem da matéria, momento em que demonstram sua visão singular e compatível com o repertório estético e cultural de seu contexto social.

O argumento em defesa da não intervenção do design nesses processos de criação artesanal é o temor da possibilidade de descaracterização dos produtos originais, que pode provocar o desaparecimento de certas categorias, tipologias, padrões e outros elementos de reconhecimento e identificação cultural de uma determinada região ou grupo social.

Os que defendem a intervenção dos profissionais do design no processo de criação acreditam que esse é um modo de agilizar e dinamizar as relações comerciais entre os artesãos e o mercado, gerando incremento de trabalho e de renda para os artistas e para a região.

Fonte: Sebrae

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Artesanato: uma alternativa ao desemprego

Mulher rendeira (comum na região nordeste). Criada em madeira e fixada em base de vime.

Você já reparou que cada vez mais as feirinhas de artesanato ganham espaço em shoppings centers e praças públicas como da República?

O crescimento de espaços destinados à comercialização de produtos artesanais não é apenas um sinal de desemprego, mas também de incentivos de governos (leia aqui o Programa Promoart criado pelo Governo Federal para promover o trabalho de artesãos de diversas regiões do Brasil) e ongs que crêem no desenvolvimento de uma estrutura estética que valoriza a criatividade e a inovação.

A promoção do artesanato está associada à criação de emprego, negócios e renda. Favorece diretamente o artesão, e indiretamente o local que está próximo a estes centros culturais e comerciais. Como a barraquinha de lanche e refrigerante e a lanchonete da esquina.

Um exemplo, é a cidade de Embú das Artes, na grande São Paulo, conhecida internacionalmente. Artesãos de todas as partes do Brasil, expõem e comercializam seus produtos em um espaço que aos finais de semana, fica praticamente impossível de caminhar. Lá, pode-se encontrar produtos de todos os tipos de matérias-primas, dentre eles: couro, tecido, feltro, porcelana, cerâmica, pedra e madeira. Há também flores, plantas e artes plásticas.

A economia da cidade é baseada na promoção do turismo cultural, devido ao seu grande atrativo: o artesanato. Para atender os turistas, a prefeitura da cidade disponibiliza serviços de informações no Centro de Atendimento ao Turista. A cidade também investiu em sinalização turística, algo importante para a segurança e acessibilidade do turista a todos os pontos importantes do roteiro.

Visitei a cidade de Embú em Janeiro/09, e conversei com diversos artesãos. Muitos trocaram as profissões e se dedicaram ao prazer de produzir suas peças e sentir a valorização do trabalho ao ouvir o elogio de um consumidor. Algo que jamais seria alcançado dentro de um escritório. Outros, encontraram no artesanato, a saída de uma situação de desemprego. Eles buscaram informações em revistas e jornais especializados e começaram sozinhos na profissão. Há também casos em que a produção é passada de geração para geração.

A cada dia, o artesanato ganha seu espaço em segmentos como a moda, o design de interiores, decoração e vestuário. Isso porque nele há diferenciais: a exclusividade, o carinho com que é produzido, a estética diferenciada, a sutileza e criatividade que cada peça possui. A sensação de comprar um produto feito manualmente é totalmente diferente de um produto industrializado, pois caracteriza a construção de um espaço e de um modelo pessoal.

A divulgação de trabalhos e técnicas incentiva pessoas que não sabem o que fazer para sair de uma situação difícil. Abre portas para o sentimento de esperança de muitos que perderam o emprego, e vêem no artesanato uma possibilidade de dignidade. De trabalho. De ocupação.
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